sábado, 16 de junho de 2018

Ivan Lins

(Rio de Janeiro, 16 de junho de 1945)


Ivan Lins tinha 25 anos e era bacharel em química quando inscreveu sua primeira canção num festival. Era 1970, o ano do tri, e “O amor é o meu país” foi logo taxada de ufanista por parte do público que a ouviu pela primeira vez na eliminatória do 5º Festival Internacional da Canção (FIC), no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro. A patrulha era justificada: sob a batuta de Médici, o governo militar entrara em sua fase mais violenta, e a Copa do México contribuía para transmitir uma imagem de harmonia que nada interessava à resistência. Mas, àquela altura, o que Ivan queria era fazer música, batucando as teclas de seu piano com um estilo todo particular.

Naquele ano, Ivan Lins ia toda sexta-feira à casa do psiquiatra Aluísio Porto Carrero, na Tijuca, para fazer um som com os camaradas do Movimento Artístico Universitário, o MAU. O coletivo musical era formado por outros jovens compositores em início de carreira, como Gonzaguinha e Aldir Blanc, e Ivan logo assumiu a liderança do grupo ao se destacar nacionalmente.

Antes mesmo de a tal canção ufanista conquistar o segundo lugar na fase nacional do FIC daquele ano, perdendo apenas para “BR-3”, outra música de sua autoria já ecoava nas rádios do país inteiro, na voz de Elis Regina: o samba “Madalena” (“Até a lua / se arrisca num palpite / que o nosso amor existe / forte ou fraco, alegre ou triste”). Uma coisa se somou à outra e o artista foi contratado pela Rede Globo, organizadora do FIC, para apresentar o programa Som Livre Exportação, ao lado dos colegas do MAU: Gonzaguinha, César Costa Filho, Aldir Blanc, João Bosco. O sucesso foi tão grande que, em pouco tempo, Elis Regina se juntou a Ivan no comando do programa, e o time de convidados passou a incluir estrelas como Wilson Simonal, Milton Nascimento, Chico Buarque, Tim Maia e Jorge Ben.

Apesar do estrondo inicial, o programa não durou muito, vencido pela falta de tempo para ensaios e pela repetição de um modelo desgastado. E Ivan Lins foi descartado pela TV com a mesma fama de alienado já colada ao programa. Após três anos recluso, Ivan Lins se reinventou, graças à parceria com o colega de pescarias Vítor Martins. Retornou às paradas de sucesso em 1974 com uma canção engajada, cheia de entrelinhas, a primeira parceria dos dois. “Abre Alas” foi sua redenção: “Abre alas pra minha folia / já está chegando a hora / abre alas pra minha bandeira / já está chegando a hora / (…) Encoste essa porta / que a nossa conversa / não pode vazar”. Seguiram-se outras canções viscerais, muitas delas lançadas ou regravadas por Elis, como “Aos Nossos Filhos” (“E quando passarem a limpo / e quando cortarem os laços / e quando soltarem os cintos / façam a festa por mim”) e “Cartomante” (“Nos dias de hoje não lhes dê motivo / porque na verdade eu te quero vivo”).

Em 1979, voltou à TV, como o compositor da música de abertura da série Malu Mulher, um estrondoso sucesso da Globo. “Começar de Novo”, nova parceria com Vítor Martins, foi gravada por Simone e, nos anos seguintes, regravada por diversos artistas, no Brasil e no exterior, incluindo uma versão em inglês na voz de Sarah Vaughan.

Com uma pegada mais pop a partir de meados dos anos 1980, Ivan Lins tornou-se um dos compositores brasileiros de maior sucesso nos Estados Unidos (Ella Fitzgerald e Barbara Streisand são outros dois exemplos de cantoras que gravaram músicas dele) e, novamente com Vítor Martins, fundou em 1991 a gravadora Velas, com atuação significativa no registro da MPB. Guinga, Chico César e Lenine tiveram seus primeiros álbuns lançados pela Velas.

Show de Ivan Lins com o grupo de música instrumental Brasilidade Geral no Centro Cultural Sesc Glória - Vitória/ES

Piano, vocal - Ivan Lins
Bateria - Renato Rocha
Baixo elétrico - Hugo Maciel
Sax barítono - Daniel Freire
Sax alto - Roger Rocha
Sax tenor - Josue Lopez
Trompete - Bruno Santos
Trombone - Rafael Rocha
Trombone - Joabe Reis

Ivan Lins & Brasilidade Geral - Acaso



Ivan Lins & Brasilidade Geral - Lembra de Mim

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Erroll Garner

(Pittsburgh, Pensilvânia, 15 de junho de 1923)


Autodidata e um dos pianistas mais distintos, Erroll Garner provou que era possível ser sofisticado sem saber ler partituras e que um músico de jazz criativo poderia ser popular sem alterar seu estilo. Quando apoiou Charlie Parker em seu famoso álbum 'Cool Blues', Erroll Garner já era um gigante. Formou seu próprio trio alcançando sucesso comercial com o álbum 'Concert by the Sea' de 1956, um dos álbuns mais vendidos da história do jazz. E sua composição mais conhecida é 'Misty'. De pequena estatura Garner tocava sentado em várias listas telefônicas. Ele também era conhecido por suas vocalizações enquanto tocava, que pode ser ouvida em muitas de suas gravações. 

BRT Studio, Bruxelas, Bélgica, 1964

Erroll Garne - piano
Eddie Calhoun - baixo
Denzil Best - bateria

Erroll Garner - Misty 

Jaki Byard

(Worcester, Massachusetts, 15 de junho de 1922)


Jaki Byard foi, sem dúvida, o pianista mais versátil do jazz, embora também tocasse trompete e fosse um excelente saxofonista tenor. Nasceu e cresceu durante a era de ouro e, embora mais jovem que Duke Ellington, ele abraçou, assim como seu antecessor, todas as mudanças pelas quais o jazz passou, desde suas origens em Nova Orleans até a era da improvisação livre. Byard, em um único concerto solo, revelava seu domínio verdadeiramente impressionante dos estilos como o R & B, o stride, o swing, o funk, o blues, o honky tonk e os arpejos extremos de Art Tatum. Mas o estilo de Byard era completamente seu, desenvolvido desde seus primeiros dias com o saxofonista maestro Earl Bostic no final dos anos 40 e início dos anos 50. 

Depois de deixar Bostic, ele tocou com os trompetistas Herb Pomeroy e Maynard Ferguson até ganhar, em 1962, um lugar na lendária banda de Charles Mingus, juntamente com Eric Dolphy. Foi uma de suas realizações notáveis. Até 1972, ele lançou uma série de álbuns com uma seção rítmica que incluía o baixista Richard Davis e o baterista Alan Dawson. Byard tornou-se um educador no início dos anos 70, depois de outra colaboração com Mingus, ensinando em Harvard e em várias outras instituições de música. Ele continuou tocando e gravando, principalmente em cenários de solo e pequenos grupos, mas também liderou duas grandes bandas - uma composta de alguns de seus alunos e outra de músicos profissionais. Sua morte, com um único tiro em sua casa, continua sendo um mistério não resolvido.

Do álbum 'Sunshine of my soul' (1967)

Jaki Byard - piano
David Izenson - baixo
Elvin Jones - bateria

Jaki Byard - Chandra


Jazz Piano Workshop, Berlim, 1965

Jaki Byard - piano
Reggie Workman - baixo
Alan Dawson - bateria

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Marcus Miller

(Brooklyn, Nova Iorque, 14 de junho de 1959)


Multi-instrumentista e produtor, principalmente um baixista, Marcus Miller estudou clarinete, teclado, saxofone e guitarra, além de ser vocalista. Tocou com vários músicos em centenas de sessões - cruzando jazz, R&B e rock - e lançou várias gravações solo desde o início dos anos 70. Suas influências são de alguns baixistas da geração precedente, em particular, Jaco Pastorius, inegavelmente uma influência que era, e ainda é, enorme.

Marcus já tocava nos clubes de jazz de Nova York antes de ter idade suficiente para dirigir. Nascido no Brooklyn e criado na vizinha Jamaica, ele sabia tocar vários instrumentos com facilidade quando entrou na adolescência. Seu pai, que dirigiu um coral e tocou órgão, teve um impacto profundo em sua educação musical. No início da década de 1980, foi para a estrada com o herói pessoal de longa data Miles Davis e acabou trabalhando com ele em vários álbuns - incluindo 'Tutu' onde Miles abraçou sintetizadores e instrumentos elétricos. O fato é que 'Tutu' é um dos melhores de sua geração e muito do crédito tem de ser dado a Marcus Miller para o que ele criou nesse álbum. 

Festival Live Under The Sky, Japão, 1991

Baixo - Marcus Miller
Sax - Everette Harp
Bateria - Poogie Bells

Marcus Miller - Run for Cover

terça-feira, 12 de junho de 2018

Chick Corea

(Chelsea, Massachusetts, 12 de junho de 1941) 


Conhecido por seu trabalho na década de 1970 no gênero chamado jazz fusion, apesar de ter contribuições significativas para o jazz tradicional. Chick Corea continua a ser um dos mais ouvidos e aplaudidos jazzmen destas últimas cinco décadas. Entre os pianistas de jazz, Corea é considerado um dos mais influentes, desde Bill Evans, junto com Herbie Hancock, McCoy Tyner e Keith Jarrett. Participou e formou vários grupos e permanece como uma das forças importantes no jazz moderno. Técnica excepcional e versatilidade sempre foram suas características marcantes desde que gravou, em 1968, o clássico free 'Now he sings, now he sobs'. Depois de uma curta estadia com Sarah Vaughan, despertou logo a atenção de Miles Davis, que o persuadiu a tocar piano elétrico para suceder Herbie Hancock. Quando deixou Davis, Corea tocou um pouco com Stan Getz antes de formar seu famoso grupo 'Return to Forever', com influência melódica brasileira na sua primeira formação tendo Flora Purim no vocal. Em 1985, Chick Corea formou um novo grupo, The Elektric Band, para equilibrar sua música, anos mais tarde formou seu Akoustic Trio. Hoje lidera um novo grupo, o Origin.

Do álbum 'Tones for Joan's Bones' (1967)

Chick Corea - piano
Steve Swallow - baixo
Joe Chambers - bateria

Chick Corea Trio - Tones for Joan's Bones





Geri Allen

(Pontiac, Michigan, 12 de junho de 1957)


Versada em uma variedade de estilos de jazz moderno, do bop ao free, Geri Allen foi a quintessência do que um pianista moderno de jazz deveria ser. Muito pouco a separava de seus modelos mais óbvios, Keith Jarrett, Herbie Hancock e Bill Evans, os principais entre eles, mas Allen tocava com um dom espontâneo que transcendia a imitação mecânica. Seu estilo de improvisação era em vários momentos ao mesmo tempo denso, alegre e percussivo, o que se esperava popularmente de um músico de jazz de sua geração. Geri Allen foi outra mulher a impor seu nome entre os mais respeitados e requisitados pianistas dos anos 80. Naquela época, com pouco mais de 30 anos, ela já tinha conquistado a crítica especializada por sua atuação em quatro álbuns. Compositora e educadora de renome, ela ocupava, nos últimos anos, o cargo de diretora de JazzStudies da Universidade de Pittsburgh. Como pianista, não escondia a influência do legado de Thelonious Monk e McCoy Tyner.

Plaza de la Trinidad, San Sebastián, 1995

Geri Allen - piano
Ron Carter - baixo
Lenny White - bateria

Geri Allen - 1, 2, Goodbye

domingo, 10 de junho de 2018

Howlin' Wolf

(White Station, Mississippi, 10 de junho de 1910)



Howlin' Wolf foi provavelmente o mais vigoroso intérprete na história do blues moderno. Um homem ameaçador, com seus mais de 1,80m de altura e quase 150 Kg de peso, Wolf dava novo significado ao blues toda vez que se apresentava, com suas bravatas e comicidade, e sua absoluta intensidade física. Foi apelidado, ainda criança, de ‘Lobo Uivador’, talvez por seu comportamento endiabrado. Ele teve contato com o blues muito cedo, suas influências incluem Charlie Patton com quem aprendeu a tocar guitarra e a gaita com Rice Miller (Sonny Boy Williamson II), que era seu cunhado. Nascido no Mississippi, Wolf passou os primeiros 40 anos de sua vida conciliando a vida de agricultor com a de bluesman, tocando violão e gaita. Depois de servir ao Exército durante a Segunda Grande Guerra, ele se mudou para Memphis, Arkansas, um centro musical do sul dos Estados Unidos, onde conseguiu patrocínio para um programa na estação de rádio local. 

Howlin’ Wolf gravou pela primeira vez em 1951, dois anos depois foi para Chicago onde sua carreira decolou. Em Chicago passou o resto de sua vida, crescendo em popularidade até ser considerado um dos maiores do blues. Também foi em Chicago que encontrou seu maior concorrente, Muddy Waters. Devido às músicas do grande baixista Willie Dixon aconteceu uma disputa pelo cetro do blues entre Wolf e Muddy, permanecendo entre eles durante os anos de 60 e 70. Em 1968, a ‘Chess Records’ fez uma tentativa de modernizar a música de Howlin' Wolf e Muddy Waters, convencendo-os a gravarem com arranjos psicodélicos, inspirados em Jimi Hendrix, o que resultou nos álbuns ‘Electric Mud’ e ‘The Howlin' Wolf Álbum’ respectivamente. Howlin' Wolf reprovou a experiência, sendo a sua insatisfação retratada pelos irmãos Chess na capa do álbum.

Mesmo assim, Howlin' Wolf estreitou laços com o rock, gravando outro álbum, o ‘The London Howlin' Wolf Sessions’, em 1969. Junto com seu fiel guitarrista, Hubert Sumlin, Wolf liderou, durante esse período uma banda formada na maior parte do tempo por Eric Clapton, Steve Winwood, Bill Wyman e Charlie Watts. A capa do disco mostra o próprio Wolf, Clapton e Watts sentados na ‘Piccadilly Circus’, cartão-postal londrino. No final da década, a saúde de Wolf começou a falhar. Mesmo assim, ele chegou a fazer um segundo disco na Inglaterra, ao lado de Muddy Waters. O álbum ‘Back Door Wolf’ gravado em 1973, foi o último do bluesman. Na música ‘Coon on the Moon’ Wolf faz uma predição do futuro: ‘you gonna wake up one morning, and a coon’s gonna be the President’ (você irá acordar em uma manhã, e um negro será o presidente). ‘Coon’ é um insulto dirigido aos negros. Sua última apresentação foi em Chicago, com B.B. King, em novembro de 1975. Chester Howlin’ Wolf Burnett faleceu dois meses depois. 

Howlin Wolf na turnê American Folk Blues Festival que excursionou pela Europa em 1964

Willie Dixon - baixo
Hubert Sumlin - guitarra

Howlin Wolf - Smokestack Lightning


Com Forrest City Highway Band, 1966

Hubert Sumlin - guitarra
Andrew McMahon - baixo
S.P. Leary - bateria
Sam Jones - sax

Howlin' Wolf - Dust My Broom

João Gilberto

(Juazeiro, Bahia, 10 de junho de 1931)


Ao se falar sobre a bossa nova, o primeiro nome a vir é o de Antonio Carlos Jobim que praticamente definiu o padrão para a criação da bossa nova. E se Jobim recebe o crédito por construir os fundamentos da bossa nova, o gênero foi brilhantemente reinventado e, sem dúvida, definido por João Gilberto, o mito, um apelido merecido. Ainda na adolescência João já absorvia a sutileza rítmica das canções brasileiras e também os ricos sons do jazz de Duke Ellington e Tommy Dorsey. Com o seu primeiro disco, 'Chega de Saudade' (1959), Gilberto se tornou amplamente conhecido como o homem que fez a bossa nova ser o que é. Nos EUA gravou alguns registros surpreendentes, trabalhando com o saxofonista Stan Getz e gravando compositores como Dorival Caymmi e Ary Barroso. Fiel à sua imagem enigmática e excêntrica, Gilberto vive recluso, mas seguro no conhecimento de que, décadas atrás, ele mudou o curso da cultura brasileira, fazendo da bossa nova a sua música, bem como a música do Brasil. João Gilberto é, sem dúvida, 'o x do problema', como disse Caetano Veloso, da modernização da canção popular brasileira. 

Do álbum 'O Amor, o Sorriso e a Flor' (1960)

João Gilberto - Se é Tarde me Perdoa

sábado, 9 de junho de 2018

Cole Porter

(Peru, Indiana, 9 de junho de 1891)


De um lado um artista genial, compositor de inúmeras canções sofisticadas, e muitas delas eternizadas. Na vida pessoal, Cole Porter era um boêmio, nascido em família rica, o luxo era uma constante em sua vida, assim como a extravagância em uma época que o jazz era tocado em salões luxuosos. Seu primeiro musical montado na Broadway foi um fracasso. Mudou-se para Paris e em 1919 casou-se com Linda Lee Thomas. Uma relação singular. Ela, viúva de um banqueiro, traumatizada pelos abusos sofridos no casamento, era uma mulher sem interesse por homens. Ele, um homossexual assumido. Juntos, construíram uma vida a dois que durou 30 anos. Foi Linda a grande incentivadora do talento de Porter e tornou-se a verdadeira musa inspiradora do gênio, para quem ele dedicou boa parte de suas composições. Depois da morte de Linda, Porter sofreu um grave acidente, quebrou as duas pernas ao cair de um cavalo, que lhe causaria dores agudas pelo resto da vida. Abandonou, então, a vida social e tornou-se recluso. Em depressão, parou de tocar e compor, tornou-se alcoólatra e decadente. Morreu na solidão em um hospital. 

'Night and Day' é uma canção escrita por Cole Porter em 1932 para o musical 'The Gay Divorce', que mais tarde foi adaptado em um filme homônimo estrelado por Fred Astaire e Ginger Rogers. A canção tornou-se ao longo dos anos um dos mais famosos standards de jazz.

Ella no Yoyogi National Stadium, Tokyo, 1983

Ella Fitzgerald - Night and day



'All Through the Night' é uma canção de 1934 escrita por Cole Porter para seu musical 'Anything Goes'.

Bert Ambrose e sua orquestra no Mayfair Hotel, 1934, com vocal de Sam Browne

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Mick Hucknall

(Denton, Inglaterra, 8 de junho de 1960)


Vocalista da banda inglesa Simply Red, Mick Hucknall uma das figuras mais injustiçadas do pop, tem como paixão os vinhos e o futebol. Apaixonado por vinhos, como enófilo é dono de uma companhia de vinhos na Itália, mas fazer música é parte do que é e não consegue ver isso mudar no futuro. Mais da metade de sua vida foi dedicada ao Simply Red. O vocalista e principal compositor é o único membro original da banda, formada em Manchester, em 1984. Grandes canções e arranjos e uma carreira irregular tiraram de Hucknall a possibilidade de escrever seu nome no panteão do pop, como atestam alguns dos representantes do gênero. Ele trouxe o soul para o pop nos anos 80 e foi o cara que implementou uma releitura inglesa do soul americano. Bebeu na fonte da gravadora americana Motown com muita categoria nos arranjos e tem uma voz super bonita e perfeita, uma voz rouca que é difícil de não reconhecer.

O líder ruivo do Simply Red mora com a esposa e a filha, de 2 anos, em Surrey, condado da Inglaterra. Antes de levar essa vida pacata, fez sua fama de mau, chamando a atenção dos tablóides pela onipresença nas baladas e também pela coleção de beldades em sua cama. Já deu declarações dizendo que a culpa por ter vivido diversos relacionamentos instáveis se deve ao fato de ter sido abandonado pela mãe quanto tinha 3 anos. Todo esse drama familiar está descrito em suas canções.

Simply Red - Stars (Live Montreux Jazz Festival, 1992)